Você se lembra da sua infância?
Talvez das brincadeiras na rua, do pique-esconde até escurecer, da roda de amigos na calçada, das tardes em que a única preocupação era brincar, estudar e voltar para casa quando alguém chamava pelo nome.
Aos domingos, a família se reunia. Havia conversa, risadas, histórias e tempo uns para os outros. Sem perceber, aprendíamos algo que nenhuma escola consegue ensinar: o valor da presença.
O mundo mudou, e mudou muito depressa.
Hoje estamos mais conectados do que nunca, mas nem sempre mais próximos. Existem vizinhos que não se conhecem, famílias que dividem a mesma casa, mas não a mesma vida. Trocamos muitas conversas por mensagens, o olhar pelo emoji e a companhia pela tela.
Não sou contra a tecnologia. Ela aproxima quem está longe e facilita o nosso dia a dia. O problema é quando ela afasta quem está perto.
Jesus nunca teve pressa para as pessoas. Em meio à correria, sempre encontrava tempo para ouvir, acolher e amar. Sentava-se à mesa, abraçava crianças e fazia cada pessoa sentir que era importante. Antes de ensinar grandes verdades, mostrou que as pessoas valem mais do que as agendas.
A Bíblia descreve bem essa corrida sem direção. Em Eclesiastes1:14 lemos: “Tudo isso é vaidade e correr atrás do vento.” É a sensação de correr cada vez mais e, no fim, descobrir que aquilo que realmente importava ficou para trás.
Talvez o que esteja faltando não seja mais dinheiro, mais sucesso ou mais tecnologia. Talvez seja um almoço em família, uma visita sem pressa, uma conversa sincera, uma brincadeira com os filhos ou uma oração feita de mãos dadas.
O essencial quase sempre volta por meio de pequenos gestos.
Quando Deus ocupa o centro da nossa vida, os nossos olhos se abrem para o que realmente importa. Não voltamos ao passado; voltamos ao essencial. Descobrimos, muitas vezes com surpresa, que ainda há tempo para recuperar o que parecia perdido. Porque a graça de Deus não apenas perdoa o que desperdiçamos; ela nos devolve a capacidade de estar presentes.
A vida que tanto procuramos não está na próxima atualização, mas na mesa do jantar. Não está na tela do celular, mas no abraço de quem amamos.
Talvez, daqui a alguns anos, seus filhos não se lembrem do celular que você usava, do carro que você dirigia ou da roupa que você vestia. Mas certamente se lembrarão das noites em que você se sentou à mesa com eles, das conversas sem pressa e das orações feitas em família. São essas lembranças que atravessam o tempo.
Quem sabe hoje seja um bom dia para desligar um pouco o celular, fazer uma ligação, visitar alguém ou reunir a família para uma oração?
Pequenos gestos. Grandes transformações.
Péricles Ramos
Imagem cortesia Freepic




