Como o dinheiro afeta, modifica e seus significados no universo masculino.
Saber que o dinheiro movimenta o mundo a gente já sabe, mas saber que a falta dessa moeda forte desfaz casamentos, inibe a libido, destrói amizades e desvaloriza competências, poucos acreditam ou comentam.
Campeão de brigas entre os casais – o segundo colocado é o relacionamento com os parentes – o dinheiro figura como o fiel da balança para o humor, principalmente masculino, e é capaz de matar.
Os homens sempre tiveram seus símbolos de força, competência e coragem refletidos no poder de suas espadas e na força de seus cavalos, que os transformavam em guerreiros corajosos, viris e poderosos. Com o passar dos anos e a evolução dos tempos, os cavalos foram sendo substituídos por carros e suas potências e o talão de cheques e a carteira, as armas mais poderosas da atualidade, se transformaram em espadas.
Você já observou como um homem saca a carteira? Por mais que se queira negar, por mais que se queira acreditar que o importante é o indivíduo e o que ele pensa, seus valores, suas atitudes e sua palavra, em nosso momento histórico, o sucesso financeiro se relaciona diretamente com esses valores e os reflete de muitas maneiras.
Um bom profissional mal remunerado é um individuo que, com certeza, não vale o que ganha, mas esse ganho subtrai de sua auto-estima elementos valiosos que acabam prejudicando o equilíbrio dessa personalidade como um todo. É muito difícil uma pessoa desvincular seus valores de seus ganhos durante muito tempo, em um determinado momento uma coisa pode se aproximar da outra e o indivíduo começa a duvidar da sua crença pessoal e passa a ter o tamanho de sua carteira.
Se a falta de dinheiro é temporária e se as lembranças de períodos mais abonados é recente, o individuo ainda é capaz de suportar privações durante um tempo sem comprometer sua estrutura emocional, somente o seu humor. Mas, se a situação dura mais do que deveria e modifica sensivelmente sua vida, esse indivíduo fica emocionalmente comprometido.
Depressão, mau humor, falta de libido, raiva e apatia são alguns dos sintomas que acometem os homens nessa situação e não devem ser descartados como causadores de várias doenças como diabetes, hipertensão, gastrite e tantas outras que não teríamos espaço para citar.
Mas o dinheiro em si não é um grande vilão de fato, mas sim a forma como lidamos com ele. O quanto nos comprometemos e como vinculamos nossos objetivos e sonhos a este símbolo é que é o problema.
A maioria das relações estremece quando o assunto é a falta de dinheiro porque mostra como as pessoas lidam com as privações, como que suportam o NÃO, como negociam com seus sonhos. Muitas pessoas passam a evitar amigos, compromissos e relacionamentos quando estão sem dinheiro, como se não tivessem, por hora, esse direito. Elas se constrangem, se escondem e assumem uma postura intimista, como que fechado para balanço, e, ainda por cima, perdem o tesão.
Claro que nós já nos sentimos assim em algum momento, que isso explica um montão de coisas, mas será que justifica? Certamente que não. As pessoas são seus valores, seus sonhos, seus objetivos, seus prazeres e conquistas. O dinheiro é um facilitador que deve ser utilizado e administrado com calma e cautela para que continue tendo essa função.
Dinheiro é sempre bom, mas prazer, carinho, saúde emocional e física são bem melhores, mesmo porque sem eles pra que serviria o dinheiro?
Fonte: Silvana Martani é Psicóloga e Professora em São Paulo. Amiga e colaboradora do Cada Dia. Autora de artigos para revistas, jornais e do livro Uma Viagem para a Puberdade e Manual Teen, para orientação dos jovens.
Silvana Martani Psicóloga e Professora em São Paulo. Amiga e colaboradora do Cada Dia. Autora de artigos para revistas, jornais e do livro Uma Viagem para a Puberdade e Manual Teen, para orientação dos jovens.